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Castanho-claro

um olhar castanho-claro

esse estúpido, vazio e maravilhoso
olhar castanho-claro.

darei um jeito
nele.

Voltando para onde eu estava


eu costumava retirar a parte de trás
do telefone e enchê-la com trapos
e quando batiam à porta
eu me fingia de morto e se eles persistissem
mandava-os em termos vulgares para aquele
lugar.

Confissão


À espera da morte
como um gato
que saltará sobre a
cama

Sinto terrivelmente por
minha esposa

A Retirada


desta vez o negócio acabou comigo.

me sinto como as tropas alemãs
açoitadas pela neve e pelos comunistas
caminhando curvadas
as botas gastas
forradas com papel jornal.

Encômios

após a morte
exageramos as boas qualidades de alguém,
nós a inflamamos.

20 tatuagens que fazem referência à Bukowski

Como vocês já devem ter percebido, eu sou uma grande fã de tatuagens (fiz um post com tatuagens literárias aqui) e também fã do Bukowski (post sobre ele aqui, e dois dos melhores poemas dele aqui e aqui), e por isso já saí no Google atrás de tatuagens criativas várias vezes. Achei algumas tão legais que gostaria de compartilhar com vocês e saber suas opiniões. Vejam só:






















E aí, gostou de alguma? Me conta nos comentários. Xoxo :*


O Pássaro Azul


há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo: fique aí, não deixarei que ninguém o veja.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo:
fique aí,
quer acabar comigo?
quer foder com o meu trabalho?
quer arruinar as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo: sei que você está aí,
então não fique triste.
depois, o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
como nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar,
mas eu não choro,
e você?



Autor da Semana: Charles Bukowski

Nascido como Heinrich Karl Bukowski, Henry Charles Bukowski Jr além de poeta foi um contista e romancista estadunidense nascido em Andernach (Alemanha) no dia 16 de agosto de 1920 e faleceu aos 73 anos em Los Angeles, no dia 9 de março de 1994. Famoso por suas obras um tanto obscenas, com narrativa direta e sem pudor que faziam com que muitos se identificassem.


Vida pessoal
Aos 3 anos se mudou inicialmente para Baltimore (Estados Unidos), e em seguida para o subúrbio de Los Angeles com seus pais: a mãe que era abusada física e psicologicamente por seu pai que era um autoritário soldado americano.
Fonte

Durante sua adolescência, Bukowski precisou fazer tratamentos agressivos contra acne em um hospital público da cidade onde morava por conta de inflamações que surgiram em seu rosto e parte superior do corpo. Isso fez com que se afastasse por um ano da escola onde teve poucos amigos e era sempre um dos últimos escolhidos para o time de beisebol. Foi nesse período que ele descobriu o álcool e os livros: as únicas coisas que tornavam sua vida suportável.

Começou a cursar jornalismo pela Los Angeles City College em 1939, ganhou uma maquina de escrever de seu pai que logo depois o expulsou de casa por conta de suas histórias, o que o fez morar em pensões e, desempregado, desistir da faculdade. Trabalhou como faxineiro, frentista e motorista de caminhão temporariamente antes de conseguir um emprego de carteiro em 1952 , mesmo com seu problema com alcoolismo. Nesse mesmo período enviou seus escritos para várias editoras independentes até que conheceu Barbara Frye (editora da revista Harlequin) que aprovou seus trabalhos e o reconheceu como um gênio. Logo começaram a se corresponder. Em pouco tempo casaram-se e separaram-se pouco depois.
Depois de se separar de Barbara Frye, Bukowski conheceu Frances Smith e tiveram uma filha chamada Marina Louise Bukowski.





Henry Chinaski
Em 1971, surgiu seu alterego Henry Chinaski, em Cartas na Rua. Chinaski o acompanha em todos seus romances e só não é protagonista em Pulp. Apesar de nunca ter gostado muito de filmes, alguns de seus contos e romances foram adaptados para o cinema por alguns diretores.

Com seus trabalhos nitidamente autobiográficos, Bukowski teve muitos problemas por citar nomes e fazer críticas aos seus familiares e amigos por sua falta de discrição. Cada poesia, cada romance e cada conto do escritor traz um pouco da vida do "Velho Safado", como ficou conhecido no mundo inteiro.

Morte
Bukowski morreu em 9 de Março de 1994, aos 73 anos com leucemia pouco depois de terminar Pulp. Em seu túmulo está a frase "Don't Try" (Não Tente). Bukowski inspirou e ainda inspira muitos com sua escrita direta, suja e indiscreta, mas poucos são aqueles que como ele, vivenciaram e permaneceram com naturalidade na sarjeta, fazendo dela, sua fonte de inspiração. De todo aquele inferno imundo e fedido, Bukowski fez o seu paraíso.



Principais obras
Mulheres, Cartas na rua e Notas de um velho safado
A mulher mais linda da cidade, O amor é um cão dos diabos e Pulp


Então queres ser um escritor?


se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu 
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua 
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só de pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.

se tens que esperar que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-
devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

não há outra alternativa.

e nunca houve.


Autor: Charles Bukowski
 
CuraLeitura . 2017 | Layout feito por Adália Sá e modificado por Thaiane Barbosa